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Segurança do Trabalho

ASO: O Que É, Tipos, Validade e Como Gerenciar

Natalia Souza

Natalia Souza

19 min de leitura
Mesa branca de consultório médico contendo um notebook aberto, um oxímetro de dedo, uma caneta prateada e um estetoscópio com o tubo na cor verdigris. A composição ilustra o ambiente da medicina do trabalho, conectando os equipamentos médicos e a tecnologia de gestão aos exames corporativos, tema central do guia sobre a emissão e o controle do Atestado de Saúde Ocupacional (ASO) e o cumprimento da NR-7.

Resumo executivo: Tudo sobre o ASO (Atestado de Saúde Ocupacional): o que é, os 5 tipos de exame obrigatórios, o que diz a NR-7, validade, quem paga, o que deve constar no documento, como enviar via eSocial (evento S-2220), penalidades por descumprimento e como gerenciar o controle de ASOs com checklists digitais. Inclui quiz de conformidade.

SULTS
NR-7
norma que regulamenta o PCMSO e torna o ASO obrigatório
R$ 4.025
multa máxima por infração (art. 201, CLT) por falta de ASO
5 tipos
de exame ocupacional que geram ASO: admissional, periódico, retorno, mudança e demissional

1. O que é ASO e para que serve

O ASO (Atestado de Saúde Ocupacional) é o documento médico que atesta a aptidão ou inaptidão do trabalhador para exercer determinada função. Emitido por médico do trabalho após exame clínico e complementares, é obrigatório para toda empresa com empregados registrados pela CLT.

O ASO é regulamentado pela NR-7 (Norma Regulamentadora n. 7) do Ministério do Trabalho e Emprego. Essa norma estabelece o PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), programa obrigatório para todas as empresas que admitam trabalhadores como empregados. O ASO é o documento-chave dentro desse programa e funciona como registro formal de que a empresa cumpriu a obrigação de avaliar a saúde ocupacional de cada colaborador.

Controlar ASOs parece simples quando a equipe é pequena. Quando a empresa cresce, vencimentos se acumulam, exames atrasam e a fiscalização encontra documentos vencidos que geram multas e passivos trabalhistas. Plataformas de checklist e auditoria permitem rastrear o status de conformidade em tempo real, independente do número de colaboradores.

Este guia cobre tudo sobre o ASO: desde os conceitos fundamentais até a gestão digital, com foco em conformidade, rastreabilidade e prevenção de riscos jurídicos.

Ciclo de vida do ASO na jornada do trabalhador AdmissionalAntes do 1° dia PeriódicoAnual ou bienal Retorno /Mud. RiscosQuando aplicável DemissionalAté 10 dias após eSocialS-2220 Ciclo se repete Cada etapa gera um ASO que deve ser arquivado e enviado ao eSocial (evento S-2220)

Figura 1: Ciclo de vida do ASO, da admissão ao desligamento, com envio obrigatório ao eSocial.

O que deve constar no ASO (NR-7, item 7.5.19)

CampoDescrição
Dados do empregadorRazão social, CNPJ, CNAE
Dados do trabalhadorNome completo, CPF, função, setor
Riscos ocupacionaisDescrição dos riscos identificados no PGR que exigem controle pelo PCMSO, ou a declaração de inexistência de riscos
Exames realizadosTipo de exame (admissional, periódico, etc.), data de realização e exames complementares com datas
Conclusão médicaApto ou inapto para a função específica
Dados do médicoNome, CRM e assinatura do médico examinador
Data de emissãoData em que o ASO foi emitido
Importante: a Nova NR-7 permite que o ASO seja emitido e entregue ao trabalhador em meio físico ou eletrônico, mediante recibo (que também pode ser eletrônico). Uma cópia deve ficar arquivada no local de trabalho, à disposição da fiscalização (NR-7, item 7.5.19). SULTS

2. Os 5 tipos de exame que geram ASO

A NR-7, no item 7.5.1, define 5 tipos de exame médico ocupacional obrigatórios. Cada um gera um ASO específico. Integrar o ASO admissional ao checklist de onboarding garante que nenhuma etapa seja pulada, independente de quem conduz a admissão.

1
ASO Admissional
Antes do início das atividades

Realizado antes que o trabalhador assuma suas atividades na empresa. Atesta se o candidato está apto para exercer a função para a qual está sendo contratado. Inclui anamnese ocupacional, exame clínico e complementares conforme o PCMSO.

Prazo: antes do primeiro dia de trabalho.

2
ASO Periódico
Monitoramento contínuo da saúde

Acompanhamento regular da saúde do trabalhador durante o vínculo empregatício. A periodicidade é definida pelo PCMSO conforme os riscos da função.

Prazos conforme NR-7: anual (ou menor) para trabalhadores expostos a riscos ocupacionais ou portadores de doenças crônicas agraváveis pelo trabalho. A cada 2 anos para os demais. O médico coordenador pode definir prazos mais curtos.

3
ASO de Retorno ao Trabalho
Após afastamento de +30 dias

Obrigatório quando o trabalhador retorna ao trabalho após afastamento superior a 30 dias por doença, acidente (ocupacional ou não) ou parto. Garante que o colaborador está em condições de retomar suas atividades.

Prazo: no primeiro dia de retorno ao trabalho.

4
ASO de Mudança de Riscos Ocupacionais
Nova função com riscos diferentes

Realizado quando o trabalhador é transferido para função, setor ou atividade que implique exposição a riscos diferentes dos anteriores. Avalia se o colaborador está apto para os novos riscos.

Prazo: antes da data da mudança efetiva.

5
ASO Demissional
Encerramento do vínculo

Realizado no desligamento do trabalhador. Comprova que o colaborador está sendo dispensado em bom estado de saúde. Se identificar algum problema, a empresa fica impedida de concluir a demissão até liberação médica.

Prazo (NR-7): até 10 dias após o término do contrato, desde que o último exame tenha sido realizado há mais de 135 dias (grau de risco 1 e 2) ou 90 dias (grau de risco 3 e 4).

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3. Validade do ASO e prazos de renovação

A validade do ASO depende do tipo de exame, do grau de risco da empresa e das condições de saúde do trabalhador. A tabela abaixo consolida os prazos conforme a NR-7:

Tipo de ASOValidade / PeriodicidadeObservação
AdmissionalAntes do primeiro dia de trabalhoÚnico: não renova, gera-se novo ASO no periódico
PeriódicoAnual ou bienalAnual para expostos a riscos ocupacionais ou portadores de doenças crônicas. Bienal para os demais
Retorno ao trabalhoNo primeiro dia de retornoObrigatório após afastamento superior a 30 dias
Mudança de riscosAntes da mudança efetivaApenas se houver exposição a riscos diferentes
DemissionalAté 10 dias após término do contratoDispensado se último exame foi dentro de 90 ou 135 dias conforme grau de risco
Atenção ao grau de risco: empresas de grau de risco 3 e 4 (conforme Quadro I da NR-4) têm prazos mais curtos. O enquadramento segue o CNAE da empresa. Verifique o grau de risco da sua atividade antes de definir o calendário de exames. A gestão centralizada de certificações e prazos evita que cada equipe defina seus próprios critérios. SULTS

4. Quem paga, quem emite e responsabilidades

Custo: 100% da empresa

Todos os exames ocupacionais e a emissão do ASO são de responsabilidade financeira do empregador (NR-7, item 7.4.5). O trabalhador não deve pagar nenhum valor. Caso pague, deve ser reembolsado integralmente.

Emissão: médico do trabalho

O ASO deve ser emitido por médico do trabalho ou médico clínico indicado pelo coordenador do PCMSO, devidamente registrado no CRM. A responsabilidade técnica é do médico coordenador do PCMSO.

Guarda: empresa (disponível para fiscalização)

A primeira via do ASO deve ficar arquivada no local de trabalho do colaborador, acessível para fiscalização do MTE a qualquer momento. A segunda via é entregue ao trabalhador. Um disco virtual centralizado garante acesso imediato a qualquer documento.

Penalidades: multa e passivo trabalhista

A falta de ASO pode gerar multa de até R$ 4.025,32 por infração (art. 201, CLT), além de impedir a demissão de funcionários. Em caso de acidente, a ausência de ASO agrava a responsabilidade civil e trabalhista da empresa.

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5. ASO e eSocial: evento S-2220

Desde a implantação do eSocial, toda empresa obrigada ao sistema deve transmitir os dados dos ASOs por meio do evento S-2220 (Monitoramento da Saúde do Trabalhador). Esse evento registra no governo federal as informações de cada exame médico ocupacional realizado.

O que deve ser informado no S-2220

CampoDescrição
Tipo de exameAdmissional, periódico, retorno, mudança de riscos ou demissional
Data do exameData de realização do exame clínico
ResultadoApto ou inapto
Médico examinadorNome, CRM e UF do médico que realizou o exame
Médico responsávelCoordenador do PCMSO (nome, CRM e UF)
Exames complementaresCódigo da tabela do eSocial, data e resultado de cada exame complementar realizado

Prazos de envio do S-2220

O evento S-2220 deve ser enviado até o dia 15 do mês subsequente à realização do exame. Para o ASO admissional, o prazo é o mesmo do evento S-2200 (cadastramento inicial do vínculo). O não envio ou envio com dados inconsistentes pode gerar pendências no eSocial que bloqueiam outros eventos do trabalhador.

Atenção para empresas com múltiplos CNPJs: cada CNPJ precisa transmitir seus próprios eventos S-2220. Sem um sistema que centralize datas e status de envio, a inadimplência no eSocial se acumula silenciosamente. Um plano de trabalho com prazos e responsáveis evita atrasos. SULTS

6. Diagnóstico: sua empresa está em conformidade com o ASO?

Responda com base no que realmente acontece na sua operação hoje.

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CONTROLE E PRAZOS
DOCUMENTAÇÃO E ARQUIVO
ESOCIAL E CONFORMIDADE DIGITAL
GESTÃO E RASTREABILIDADE

7. Como gerenciar ASOs de forma digital

Para uma empresa com 30 colaboradores, uma planilha de controle funciona. Quando a equipe cresce para centenas de colaboradores, o controle manual de vencimentos de ASO se torna um risco jurídico constante.

As empresas que mantêm conformidade do PCMSO com consistência compartilham 4 práticas:

Calendário centralizado de exames com alertas automáticos

Cada colaborador tem sua data de vencimento registrada. O sistema dispara alertas 30 e 15 dias antes do vencimento para o gestor e para a equipe de SST. A agenda corporativa integrada permite vincular o agendamento do exame diretamente ao calendário.

Dashboard de conformidade

Percentual de ASOs em dia por equipe, setor e empresa. Quantos colaboradores estão com periódico atrasado? Visibilidade em tempo real para agir antes da fiscalização.

Checklist de admissão com ASO como item obrigatório

O ASO admissional é um item do checklist de admissão. O novo colaborador não inicia sem que o item esteja marcado como concluído, com evidência anexada. Empresas em crescimento usam o módulo de implantação para garantir que cada nova operação já nasça com o processo de ASO configurado.

Arquivo digital acessível para fiscalização

ASOs digitalizados, organizados por colaborador. Em caso de fiscalização do MTE, o histórico completo é acessível em segundos, sem depender de pastas físicas.

Controle de ASOs: manual vs. digital Controle manual (planilhas) ✘ Vencimentos passam despercebidos ✘ Cada setor controla isoladamente ✘ Fiscalização exige busca em pastas ✘ eSocial enviado manualmente por CNPJ ✘ Sem visibilidade para gestão ✘ Risco de multa cresce com o n° de colaboradores Controle digital (SULTS) ✔ Alertas 30 e 15 dias antes do vencimento ✔ Dashboard por equipe, setor e empresa ✔ Documento acessível em segundos ✔ Datas centralizadas para envio S-2220 ✔ Conformidade visível em tempo real ✔ Checklist de admissão bloqueia início sem ASO Controle manual funciona para equipes pequenas. Controle digital funciona para qualquer porte.

Figura 2: Comparativo entre gestão manual e digital de ASOs.

Na prática com o SULTS: o controle de ASOs se integra aos checklists de admissão, auditorias de conformidade e dashboards de gestão. Alertas de vencimento são automáticos, e o gestor enxerga em tempo real a taxa de conformidade do PCMSO. A universidade corporativa pode ser usada para treinar gestores sobre os procedimentos corretos de agendamento e arquivamento de ASOs. SULTS
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Conheça como o SULTS centraliza a gestão de conformidade do PCMSO com alertas, checklists e dashboard.

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8. Modelo de ASO: o que o documento deve conter

O modelo abaixo ilustra a estrutura obrigatória do ASO conforme a NR-7. Não existe um formato visual padronizado pelo MTE, mas todos os campos listados são obrigatórios.

ATESTADO DE SAÚDE OCUPACIONAL DADOS DO EMPREGADORRazão Social: ________________________ CNPJ: ______________ CNAE: ________ DADOS DO TRABALHADORNome: ________________________________ CPF: ______________ Função: ________ RISCOS OCUPACIONAISConforme PGR ou declaração de inexistência EXAMES REALIZADOSTipo: [ ] Admissional [ ] Periódico [ ] Retorno [ ] Mud. Riscos [ ] DemissionalData: ___/___/______ Complementares: ___________________________________ CONCLUSÃO: [ ] APTO [ ] INAPTO para a função de ________________________ MÉDICO EXAMINADORNome: ________________________________ CRM: __________ Assinatura: _______ Data de emissão: ___/___/______1ª via: empresa | 2ª via: trabalhador Campos obrigatórios conforme NR-7, item 7.5.19. Formato ilustrativo.

Figura 3: Modelo visual de ASO com todos os campos obrigatórios da NR-7.

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Perguntas frequentes sobre ASO

ASO é o documento médico que atesta a aptidão ou inaptidão do trabalhador para exercer determinada função. É emitido por médico do trabalho após exame clínico e complementares, sendo obrigatório para todas as empresas com empregados CLT, conforme a NR-7.

São 5 tipos, conforme NR-7: admissional (antes do início das atividades), periódico (monitoramento contínuo), retorno ao trabalho (após afastamento de +30 dias), mudança de riscos ocupacionais (quando há exposição a riscos diferentes) e demissional (no encerramento do vínculo).

A empresa. Todos os exames ocupacionais e a emissão do ASO são de responsabilidade financeira exclusiva do empregador (NR-7, item 7.4.5). O trabalhador não deve arcar com nenhum custo.

Depende do tipo e do grau de risco. O ASO periódico tem validade de 1 ano (para expostos a riscos ocupacionais ou portadores de doenças crônicas) ou 2 anos (demais). O demissional pode ser dispensado se o último exame foi realizado dentro de 90 dias (risco 3 e 4) ou 135 dias (risco 1 e 2).

A empresa fica sujeita a multa de até R$ 4.025,32 por infração (art. 201, CLT). Além disso, a ausência de ASO agrava a responsabilidade civil e trabalhista em caso de acidente, dificulta processos de demissão e pode gerar passivos em ações trabalhistas.

Médico do trabalho ou médico clínico indicado pelo coordenador do PCMSO, devidamente registrado no CRM. A responsabilidade técnica é do médico coordenador do programa.

Com um sistema centralizado que registra as datas de vencimento de cada colaborador, dispara alertas automáticos e mostra em dashboard a conformidade do PCMSO. O SULTS integra o controle de ASOs aos checklists de admissão e auditorias de conformidade.

O ASO é específico para saúde ocupacional: avalia a aptidão do trabalhador para exercer sua função, considerando os riscos do ambiente de trabalho. O atestado médico comum é genérico, justifica ausência por doença, mas não avalia aptidão laboral nem tem validade para o PCMSO.

O S-2220 é o evento do eSocial que registra os dados de monitoramento da saúde do trabalhador. Toda empresa obrigada ao eSocial deve transmitir as informações de cada ASO emitido (tipo de exame, data, resultado, médico examinador e complementares) até o dia 15 do mês subsequente ao exame.

Sim. A Nova NR-7 permite a emissão e entrega do ASO em meio eletrônico, desde que haja recibo (que também pode ser eletrônico). A cópia digital deve ficar acessível para fiscalização no local de trabalho do colaborador.

ASO em dia é prevenção, não burocracia

O ASO é mais do que um documento legal. É a linha de frente da saúde ocupacional: garante que cada trabalhador esteja apto para sua função, protege a empresa de passivos trabalhistas e cria um histórico de saúde que previne doenças ocupacionais.

Conforme a empresa cresce, o desafio é manter o controle: vencimentos de periódicos, agendamentos, envio do S-2220 e conformidade do PCMSO como um todo. Isso exige mais do que planilhas: exige processo digital, alertas automáticos e visibilidade sobre o status de cada colaborador.

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Natalia Souza Coordenadora de Recursos Humanos da SULTS. Psicóloga graduada pela UFTM e com MBA Executivo em Gestão com Ênfase em Liderança e Inovação pela FGV , ela atua na construção de uma gestão de pessoas altamente estratégica e conectada aos resultados do negócio. Com uma sólida trajetória em consultoria de RH , onde atendeu mais de 40 empresas de diversos segmentos , Natália possui profunda expertise na estruturação de processos, cultura organizacional, performance e People Analytics. Unindo seu olhar atento ao comportamento humano a decisões orientadas por dados, ela lidera o desenvolvimento de ambientes corporativos estruturados, posicionando o RH como um pilar ativo no crescimento da organização.

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