Skip to content
Gestão Comercial

Trade Marketing: O Que É, Pilares e Estratégias de PDV

Rodrigo Caetano

Rodrigo Caetano

29 min de leitura
Uma mulher sorridente com tranças longas, vestindo um suéter creme e jeans, fazendo compras em uma loja de artigos para o lar bem iluminada. Ela está segurando um cobertor de lã enrolado e puxando um carrinho de compras com rodas na cor verdigris. Há também um pequeno vaso de planta com folhagem verde ao lado de uma pilha de cobertores. Prateleiras cheias de produtos de cama e banho brancos e em tons neutros, junto com cartazes de preços brancos, alinham os corredores, ilustrando a execução de estratégias de trade marketing no ponto de venda (PDV).

Resumo executivo: Trade marketing é a disciplina que transforma estratégia de marca em resultado no ponto de venda. Neste guia, você encontra definição, os 5 pilares, estratégias de PDV, KPIs essenciais, cases de Unilever, Coca-Cola e Nestlé, além de tendências como IA e retail media para 2025-2026. Inclui passo a passo para implementar e padronizar a execução com checklists digitais.

SULTS
R$ 1,07 tri
Faturamento do setor supermercadista brasileiro em 2024
76%
Das decisões de compra no varejo alimentar acontecem dentro da loja
59%
Das promoções de trade globalmente não cobrem seus custos
R$ 301 bi
Receita do franchising brasileiro em 2025, com +202 mil unidades

O que é trade marketing

Trade marketing é o conjunto de estratégias e ações direcionadas aos canais de distribuição (varejistas, atacadistas e distribuidores) com o objetivo de aumentar a demanda junto ao consumidor final no ponto de venda (PDV). A execução padronizada dessas ações depende de checklists de auditoria e processos estruturados. Enquanto o marketing tradicional fala diretamente com o consumidor via publicidade e branding, o trade marketing opera no elo B2B da cadeia, garantindo que o produto esteja disponível, visível e competitivo onde a decisão de compra acontece.

Na prática, o profissional de trade marketing é a ponte entre a indústria e o varejo. Ele negocia espaços em gôndola, planeja ações promocionais no PDV, define planogramas, coordena materiais de merchandising e monitora indicadores como sell-out, ruptura e share de gôndola. Para empresas, essa função ganha uma camada adicional de complexidade: padronizar a execução em centenas de lojas sem perder agilidade local. Plataformas de gestão operacional para redes tornam esse desafio viável ao centralizar comunicação, checklists e campanhas em um único ambiente.

A origem formal do trade marketing remonta à aliança entre Procter & Gamble e Walmart no final dos anos 1980. Em 1987, Tom Muccio, da P&G, iniciou uma colaboração sem precedentes que transformou o varejo global. Em 15 anos, a relação comercial entre as duas empresas saltou de US$ 350 milhões para US$ 8 bilhões anuais, conforme documentado pela Harvard Business School (HBS Case 907-011). No Brasil, o conceito ganhou força no início dos anos 1990, quando a consolidação do varejo transferiu poder de negociação para as grandes redes.

Indústria (Fabricante) Canal (Varejo/Atacado) PDV (Ponto de Venda) Consumidor (Decisão de compra) TRADE MARKETING atua aqui

Figura 1: Fluxo do trade marketing: a disciplina atua na intersecção entre canal de distribuição e ponto de venda, onde 76% das decisões de compra acontecem.

Trade marketing vs. marketing tradicional vs. shopper marketing

Uma confusão frequente no mercado é tratar trade marketing, marketing tradicional e shopper marketing como sinônimos. Cada disciplina tem foco, público e mecanismos distintos. Entender essa diferença é o primeiro passo para estruturar uma operação eficiente.

DimensãoMarketing tradicionalTrade marketingShopper marketing
FocoConsumidor final (brand awareness)Canal de distribuição (varejista/distribuidor)Shopper no momento da compra
EstratégiaPull (puxar demanda via mídia)Push (empurrar pelo canal)Pull no PDV (influenciar decisão)
KPI principalAwareness, recall, consideraçãoSell-out, share de gôndola, positivaçãoConversão, ticket médio, frequência
Quem executaEquipe de marketing/agênciaEquipe de trade + promotoresEquipe multidisciplinar + insights
Onde atuaMídia (TV, digital, OOH)PDV físico e digitalJornada de compra completa
Investimento típicoAcima da linha (above the line)15-27% da receita (CPG global)Variável, integrado ao trade

O ponto central: marketing tradicional cria desejo pela marca, trade marketing garante que o produto esteja disponível e visível no PDV, e shopper marketing influencia o comportamento no momento exato da decisão. As três disciplinas são complementares e empresas que as integram capturam valor em toda a jornada do consumidor.

Os 5 pilares do trade marketing

O trade marketing sustenta-se sobre cinco pilares interdependentes. Quando executados de forma coordenada, transformam a presença no PDV em vantagem competitiva mensurável. A falha em qualquer pilar compromete o investimento nos demais.

OS 5 PILARES DO TRADE MARKETING VISIBILIDADE Merchandising Planograma Ponto extra MPDV Cross-merch PREÇO Pricing por canal Margem varejista Elasticidade Preço psicológico Monitoramento LOGÍSTICA Disponibilidade Reposição Nível de serviço Cobertura Lead time PROMOÇÕES Calendário Ações de PDV Degustação Encarte Combos RELEVÂNCIA Autoridade Category mgmt Sell-out data Insights Parceria B2B

Figura 2: Os 5 pilares do trade marketing e seus componentes práticos. A execução coordenada dos cinco pilares maximiza o retorno no PDV.

Visibilidade garante que o produto seja visto pelo shopper no momento certo. Envolve planogramas (mapas visuais da gôndola), pontos extras (ilhas, pontas de gôndola, displays de chão) e materiais de PDV como wobblers, stoppers e testeiras. A “zona quente” da prateleira, nível dos olhos, concentra os produtos de maior rotação e margem.

Preço define a estratégia de precificação por canal, equilibrando competitividade com proteção de margem do varejista. Inclui elasticidade de preço, preços psicológicos e monitoramento constante via ferramentas de pricing. Em empresas, manter consistência de preços entre lojas exige uma comunicação interna centralizada que garanta que todas as unidades executem a política de preços corretamente.

Logística é o pilar que sustenta todos os outros: sem produto disponível, não há visibilidade, preço ou promoção que funcione. A pesquisa Abrappe/KPMG 2025 revelou que a ruptura comercial média no varejo brasileiro ficou em 7,81% em 2024, e 58% dos consumidores deixam de frequentar uma loja quando não encontram os produtos desejados.

Promoções abrangem o calendário promocional (use um plano de trabalho para organizar), ações de degustação, encartes, combos e ofertas especiais alinhadas a datas comerciais. O desafio é que, segundo a Nielsen, 59% das promoções de trade globalmente não geram retorno positivo, o que reforça a necessidade de medir cada ação com rigor.

Relevância é o pilar estratégico de longo prazo. Envolve o gerenciamento por categorias (parceria com o varejista para otimizar a categoria como unidade de negócio), compartilhamento de dados de sell-out e construção de autoridade como parceiro de negócio do canal.

SULTS Padronize a execução de trade marketing em todas as suas unidades

Checklists, comunicados e campanhas centralizados para empresas.

Testar gratuitamente

Estratégias de trade marketing no ponto de venda

A execução no PDV é onde a estratégia de trade marketing se materializa. Cada elemento, do planograma ao material promocional, cumpre uma função específica no “caminho de ouro” do shopper dentro da loja.

Merchandising e materiais de PDV

O merchandising no ponto de venda utiliza diferentes tipos de materiais para capturar a atenção do shopper. Os displays de chão oferecem visibilidade 360 graus e são considerados o principal material para pontos extras. Pontas de gôndola (endcaps) ocupam a posição premium na intersecção de corredores, com alta exposição. Wobblers são peças que “flutuam” na prateleira e atraem atenção pelo movimento. Stoppers interrompem o fluxo visual do shopper perpendicularmente à gôndola. Testeiras funcionam como “manchetes” no topo das seções, sinalizando categorias e promoções.

O cross-merchandising posiciona produtos complementares juntos, queijo ralado próximo ao macarrão, molho de tomate junto à massa, aumentando o ticket médio sem custo adicional de espaço. A técnica é especialmente eficaz em redes de supermercados e conveniência.

Gerenciamento por categorias

O gerenciamento por categorias (GC) é uma parceria estratégica entre varejista e fabricante para tratar cada categoria como uma unidade de negócio independente. Baseado na estratégia ECR (Efficient Consumer Response) e proposto pelo Dr. Brian F. Harris nos anos 1990, o processo clássico segue 8 etapas: definição da categoria, papel da categoria (destino, rotina, sazonal, conveniência), avaliação de desempenho, definição de metas, estratégia, tática, implementação e revisão contínua.

A empresa que atua como “capitã de categoria” (category captain) fornece insights sobre toda a categoria, não apenas sobre seus produtos. Esse papel é frequentemente exercido por multinacionais como P&G e Unilever, que possuem dados de mercado robustos e equipes dedicadas.

Calendário promocional

O planejamento de um calendário promocional alinha ações de trade às datas comerciais relevantes, Carnaval, Dia das Mães, Dia dos Namorados, Black Friday, Natal, com cronograma reverso que considera prazos de produção de materiais, treinamento de equipes e negociação com varejistas. Para redes com centenas de unidades, ferramentas de gestão de projetos que centralizam cronogramas e tarefas são essenciais para manter a sincronia entre matriz e unidades.

Diagnóstico: qual o nível de maturidade em trade marketing da sua rede?

Marque cada prática que sua rede já executa para avaliar o estágio da sua operação de trade marketing:

ESTRATÉGIA E PLANEJAMENTO
EXECUÇÃO NO PDV
TECNOLOGIA E DADOS
TREINAMENTO E CULTURA

Trade marketing na prática: padronização e execução

Para redes e franquias com mais de 200 unidades, o trade marketing enfrenta um paradoxo: a estratégia deve ser centralizada, mas a execução é necessariamente descentralizada. A distância entre o que o backoffice planeja e o que acontece na ponta do PDV determina o sucesso ou fracasso de qualquer ação.

O gap de execução que devora o ROI

Dados indicam que 60% das promoções de trade falham porque não são executadas corretamente no PDV. Os gargalos mais comuns em redes incluem: comunicação fragmentada entre matriz e lojas, ausência de comprovação visual de conformidade, processos manuais com checklists em papel, lançamentos atrasados e dados inconsistentes entre unidades.

A padronização eficiente se apoia em três pilares operacionais. Primeiro, manuais operacionais digitais com diretrizes de marketing, especificações técnicas e layout de loja acessíveis em tempo real. Uma universidade corporativa integrada permite treinar equipes de campo em novos materiais e procedimentos de trade antes de cada campanha. Segundo, plataformas digitais centralizadas para distribuição de materiais, campanhas e diretrizes de marca com monitoramento de execução. Terceiro, auditorias sistemáticas via checklists digitais que comprovam a conformidade de cada unidade com fotos geolocalizadas e timestamps.

Auditoria de PDV e reconhecimento de imagem por IA

A auditoria de PDV é o mecanismo que conecta estratégia e execução. Avalia posicionamento de produtos, controle de estoque, precisão de preços, presença de MPDV, conformidade com planograma e share de gôndola. A revolução atual vem do reconhecimento de imagem por inteligência artificial: promotores fotografam a gôndola com smartphone, modelos de deep learning identificam SKUs e contam facings, e dashboards entregam dados estruturados em tempo real.

A precisão dessas ferramentas já ultrapassa 95-98% em condições reais de loja. A Unilever Portugal, ao substituir auditorias manuais por reconhecimento de imagem, reduziu custos de auditoria em 80% e aumentou a cobertura de lojas auditadas em 60%. Para redes brasileiras, a combinação de checklists digitais com IA de prateleira está redefinindo o padrão de excelência em execução.

SULTS

Controle a execução de trade marketing em todas as suas unidades

+1.500 clientes já utilizam a SULTS para padronizar operações com checklists, comunicados, campanhas de marketing e universidade corporativa em uma única plataforma.

Conhecer a SULTS

KPIs e métricas de trade marketing

A gestão de trade marketing se sustenta em métricas que conectam execução no PDV com resultados financeiros. Monitorar os indicadores certos permite identificar gargalos rapidamente e otimizar o retorno de cada ação.

KPIO que medeFórmulaBenchmark
Sell-outVendas do varejista ao consumidor finalVolume ou valor vendido no PDVCrescimento acima da categoria
RupturaItens indisponíveis no PDV(Itens em falta / Total de itens) x 100Abaixo de 5% (excelência)
Share de gôndolaEspaço físico na prateleira(Facings da marca / Total de facings) x 100Proporcional ao market share
PositivaçãoPresença e exposição correta no PDV(Lojas positivadas / Total de lojas) x 100Acima de 90%
Perfect Store ScoreQualidade geral da execuçãoÍndice composto (presença + preço + share + extras)Acima de 85%
ROI por açãoRetorno de cada ação promocional(Receita – Custo) / Custo x 100Positivo (acima de 100%)
Mix de produtosAderência ao sortimento planejado(SKUs presentes / SKUs planejados) x 100Acima de 95%

A distinção mais importante é entre sell-in e sell-out. Sell-in é a venda do fabricante para o varejista; sell-out é a venda do varejista para o consumidor final. A máxima do setor resume: “sell-in sem sell-out é estoque parado.” Pesquisa de Gruen, Corsten e Bharadwaj (2002) mostra que, diante da ruptura, 32% dos consumidores buscam o produto em outro lugar, 20% trocam de marca e 11% abandonam a compra.

O Perfect Store Score é um KPI composto que avalia a qualidade geral da execução. Empresas como Unilever e Nestlé utilizam esse indicador para ranquear lojas e direcionar esforços. Lojas com mais de 95% de conformidade superam as demais em 8-10% em vendas. Para redes que utilizam checklists digitais de auditoria, o Perfect Store Score pode ser calculado automaticamente a partir dos dados coletados em campo.

DASHBOARD DE TRADE MARKETING SELL-OUT +12,4% vs. mês anterior RUPTURA 4,2% meta: abaixo de 5% SHARE GÔNDOLA 28,6% market share: 26% PERFECT STORE 91,3% meta: acima de 85% ÍNDICE DE EXECUÇÃO GERAL: 91,3% 312 lojas auditadas | 284 conformes (91%) | 28 com pendências | 15 críticas Dados ilustrativos. Configure seus KPIs reais em uma plataforma de gestão operacional.

Figura 3: Dashboard ilustrativo de KPIs de trade marketing. Monitorar sell-out, ruptura, share de gôndola e Perfect Store Score em tempo real permite corrigir desvios antes que impactem o resultado.

Trade marketing digital

O trade marketing não se limita mais ao PDV físico. A extensão do conceito para o ambiente digital, especialmente via retail media, está reconfigurando a disciplina. O mercado global de retail media atingiu US$ 179,5 bilhões em 2025 (Coresight Research) e projeta US$ 203,9 bilhões em 2026, com crescimento de 14%.

No Brasil, o retail media alcançou R$ 3,5 bilhões em 2024, crescimento de 42,3% em relação a 2023, o maior do mundo segundo o IAB Brasil e Kantar IBOPE Media. O retorno é atrativo: 154% de ROI para cada dólar investido em campanhas de retail media com targeting preciso. A oportunidade é clara: enquanto o Brasil investe apenas 3% do orçamento publicitário em retail media, China e EUA já superam 50%.

No e-commerce, o conceito de “gôndola digital” exige novas competências. O share of search representa 83% do market share de uma marca online (Intelligence Node), e 80% dos shoppers olham apenas as 5 primeiras posições dos resultados de busca. Estar na primeira página do marketplace é tão crítico quanto estar ao nível dos olhos na gôndola física. O módulo de marketing de uma plataforma de gestão operacional permite coordenar campanhas digitais e físicas a partir de um único painel.

Tendências de trade marketing para 2025-2026

A transformação digital do trade marketing está acelerando em múltiplas frentes simultâneas, impulsionada por IA, IoT e analytics avançado.

Etiquetas eletrônicas de prateleira (ESL)

Mercado avaliado em US$ 2,0-2,2 bilhões em 2025, com projeção de US$ 7,3-7,8 bilhões até 2033. O Walmart anunciou a implantação de ESLs em 2.300 lojas até 2026. O retorno médio: ROI de 277% em 5 anos, com payback em 18 meses.

Prateleiras inteligentes com IoT

Mercado de US$ 4,4 bilhões em 2024, projetando US$ 15,4 bilhões até 2030 (CAGR 23%). Sensores de peso, RFID e IA detectam rupturas em tempo real, permitindo reposição proativa antes que o consumidor perceba a falta.

IA generativa e analytics preditivo

69% dos varejistas observaram aumento significativo de receita após adoção de IA, segundo a NVIDIA. 72% notaram queda nos custos operacionais. A IA já permeia previsão de demanda, otimização de sortimento, personalização de promoções e auditoria automatizada de gôndola.

Live commerce e social commerce

31% dos consumidores brasileiros já utilizaram live commerce (CNDL/SPC Brasil). O mercado brasileiro de social commerce é estimado em US$ 4,16 bilhões em 2025, com crescimento de 16% ao ano, integrando trade marketing físico e digital.

Cases globais de trade marketing

As maiores empresas de bens de consumo do mundo desenvolveram programas estruturados de execução no PDV que servem como referência para qualquer rede que busca excelência em trade marketing.

A Unilever é creditada como criadora do conceito “Perfect Store”, utilizando o framework dos 6 P’s (Product, Place, Price, Promotion, Proposition e People). A meta declarada é alcançar 20 milhões de Perfect Stores globalmente por meio do programa Partners for Growth. No Reino Unido, a iniciativa identificou cinco missões de compra distintas em lojas de conveniência e desenhou layouts ideais para cada uma.

A Coca-Cola utiliza o programa RED (Right Execution Daily), que avalia três parâmetros em cada ponto de venda: gestão de visi-cooler, disponibilidade de produtos e ativação, totalizando 100 pontos. Market developers verificam 25 PDVs por dia. No Brasil, a Coca-Cola desenvolveu um sistema modular de PDV com 53 configurações de equipamento e mais de 1.000 PDVs ativados.

A Nestlé lançou seu conceito de Perfect Store no travel retail em 2009. O projeto-piloto no Aeroporto de Schiphol (Amsterdã) gerou vendas da categoria de confeitaria 17% acima do aumento de passageiros, e 34% dos passageiros adicionaram um produto Nestlé à cesta (ante 15% antes da transformação).

A PepsiCo explora a sinergia entre snacks e bebidas com a estratégia “Power of One”, partindo da premissa de que as ocasiões de consumo são tipicamente planejadas e consumidas juntas. A estratégia de execução no PDV é chamada “Flawless Execution”, combinando dados first-party com ativações omnichannel.

Como implementar trade marketing: passo a passo

Implementar trade marketing em uma rede com diversos pontos de venda exige método, tecnologia e disciplina. Este roteiro organiza o processo em etapas práticas, adaptáveis a redes de qualquer porte.

Etapa 1: Diagnóstico da operação atual. Mapeie a situação presente: quais ações de trade já existem, como são comunicadas às unidades, quem executa no PDV e como a conformidade é verificada. Identifique os gaps entre o que a matriz planeja e o que acontece na ponta.

Etapa 2: Definição de KPIs e metas por canal. Estabeleça os indicadores prioritários (sell-out, ruptura, positivação, Perfect Store Score) e defina metas por tipo de unidade, região e canal. KPIs sem meta não geram ação.

Etapa 3: Estruturação do calendário promocional. Monte um calendário anual com datas comerciais, lançamentos, campanhas sazonais e ações de categoria. Inclua prazos de produção de materiais, treinamento de equipes e negociação com parceiros varejistas.

Etapa 4: Padronização de materiais e processos. Crie templates de materiais de PDV, planogramas padrão por tipo de loja e checklists de auditoria que comprovem a conformidade de cada unidade. Utilize comunicados centralizados para distribuir diretrizes.

Etapa 5: Treinamento da equipe de campo. Capacite promotores, supervisores e gerentes de loja nos processos de trade marketing. Uma universidade corporativa permite escalar o treinamento para centenas de profissionais simultaneamente, com trilhas específicas por função.

Etapa 6: Implantação de tecnologia de gestão. Adote uma plataforma que centralize checklists, comunicados, campanhas e indicadores em um único ambiente. Para redes em fase de implantação de novas unidades, a integração do trade marketing ao playbook de abertura garante que cada nova loja já nasça com os padrões corretos.

Etapa 7: Monitoramento, feedback e melhoria contínua. Acompanhe os KPIs em tempo real, compartilhe rankings de desempenho entre unidades e use os dados para retroalimentar o planejamento. O ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act) deve ser quinzenal ou mensal, com ações corretivas imediatas para unidades abaixo da meta.

SULTS Sua rede está preparada para o trade marketing de 2026?

Centralize checklists de PDV, campanhas de marketing e treinamentos em uma plataforma que escala com você.

Começar agora

Leitura recomendada

Checklist: o guia completo para padronizar operações

Como utilizar checklists digitais para auditorias de PDV, conformidade e padronização operacional em redes.

Maturidade operacional: os 4 estágios para escalar com controle

Entenda em qual estágio sua rede se encontra e o que fazer para avançar com consistência operacional.

Gestão estratégica: frameworks e metodologias para redes

BSC, OKR, Porter e outros frameworks aplicados à gestão estratégica de empresas.

Onboarding: como integrar novos franqueados e equipes

Processos estruturados de onboarding que aceleram a curva de aprendizado em redes com alta rotatividade.

Perguntas frequentes sobre trade marketing

Trade marketing é o conjunto de estratégias e ações direcionadas aos canais de distribuição (varejistas, atacadistas e distribuidores) para aumentar a demanda junto ao consumidor final no ponto de venda. Diferente do marketing tradicional, que fala com o consumidor via mídia, o trade marketing atua na relação B2B entre indústria e varejo.

Marketing tradicional cria desejo pela marca junto ao consumidor final via publicidade (estratégia pull). Trade marketing garante que o produto esteja disponível, visível e competitivo no ponto de venda, atuando na relação com o canal de distribuição (estratégia push). Os dois são complementares.

Os cinco pilares são: visibilidade (merchandising, planograma, MPDV), preço (pricing por canal, margem varejista), logística (disponibilidade, reposição), promoções (calendário, ações de PDV, degustação) e relevância (gerenciamento por categorias, parceria B2B, insights de mercado).

O profissional de trade marketing negocia espaços em gôndola, planeja ações promocionais no PDV, define planogramas, coordena materiais de merchandising, monitora indicadores como sell-out e ruptura, e atua como ponte entre a indústria e o varejo para maximizar o desempenho dos produtos nos canais de venda.

Sell-in é a venda do fabricante para o varejista (B2B). Sell-out é a venda do varejista para o consumidor final (B2C). O sell-out é considerado a métrica definitiva de sucesso do trade marketing, pois reflete a demanda real do consumidor. Sell-in sem sell-out equivale a estoque parado.

Ruptura é a indisponibilidade de um produto no momento da compra. No Brasil, a ruptura média gira em torno de 7-10% no varejo físico. O trade marketing ajuda a reduzi-la com monitoramento de disponibilidade, checklists de reposição, alertas automáticos e auditorias de PDV que identificam gaps antes que impactem o consumidor.

Share de gôndola mede o percentual de espaço físico ocupado pela marca na prateleira em relação ao total da categoria. Fórmula: Share de Gôndola (%) = (Facings da marca / Total de facings da categoria) x 100. Idealmente, deve ser proporcional ao market share da marca.

Perfect Store Score é um KPI composto que avalia a qualidade geral da execução no PDV. Engloba presença (sortimento correto), precificação, share de gôndola e pontos extras. Empresas como Unilever e Nestlé utilizam esse indicador como principal métrica de execução. Lojas com mais de 95% de conformidade superam as demais em 8-10% em vendas.

Gerenciamento por categorias é uma parceria estratégica entre varejista e fabricante para tratar cada categoria de produtos como uma unidade de negócio independente. Segue um processo de 8 etapas e otimiza sortimento, pricing e disposição em gôndola.

Empresas de bens de consumo tipicamente investem entre 15% e 27% da receita anual em ações de trade marketing, segundo a McKinsey. Globalmente, esse investimento representa entre US$ 500 bilhões e US$ 1 trilhão por ano. O desafio é que 59% das promoções não cobrem seus custos, segundo a Nielsen.

O ROI de trade marketing é calculado como: (Receita gerada pela ação – Custo da ação) / Custo da ação x 100. A melhor prática é usar lojas controle (com e sem a ação) para isolar o volume incremental genuíno.

Planograma é o mapa visual que determina a posição de cada produto na gôndola. Organiza o espaço de forma estratégica, maximiza vendas por metro linear e garante consistência entre unidades de uma rede.

Materiais de PDV são peças de comunicação visual posicionadas no ponto de venda para atrair atenção e influenciar a decisão de compra. Incluem displays de chão, pontas de gôndola, wobblers, stoppers, testeiras, réguas de gôndola, ilhas e clip strips.

A padronização exige manuais operacionais digitais acessíveis em tempo real, plataforma centralizada para distribuição de campanhas e materiais com monitoramento de execução, e auditorias sistemáticas via checklists digitais com comprovação fotográfica.

Retail media é a publicidade dentro de plataformas de varejo (marketplaces, apps, lojas online), utilizando dados first-party do varejista para targetizar consumidores. É a extensão digital do trade marketing: garante visibilidade na gôndola digital assim como o trade garante na gôndola física.

Cross-merchandising é a técnica de posicionar produtos complementares juntos no PDV para estimular compra por associação. Exemplos: queijo ralado ao lado do macarrão, molho de tomate próximo à massa, carvão junto à carne para churrasco.

Positivação refere-se à correta presença e exposição estratégica dos produtos no PDV. O índice é calculado como: (Lojas positivadas / Total de lojas) x 100.

A inteligência artificial impacta o trade marketing via reconhecimento de imagem para auditoria automatizada de gôndola (precisão acima de 95%), analytics preditivo para previsão de demanda, personalização de promoções por loja/perfil e prateleiras inteligentes com IoT que detectam rupturas em tempo real.

A Unilever criou e popularizou o conceito de Perfect Store com o framework dos 6 P’s: Product, Place, Price, Promotion, Proposition e People. A meta global é alcançar 20 milhões de Perfect Stores.

As principais são: RDC 96/2008 da ANVISA (restrições no PDV farmacêutico), Lei 10.962/2004 (afixação de preços), CDC Lei 8.078/1990 (obrigatoriedade de cumprir ofertas) e Lei 5.768/1971 (autorização para promoções com sorteios).

Trade marketing é vantagem competitiva em escala

O trade marketing está vivendo sua transformação mais profunda desde a aliança P&G-Walmart que o originou. Com 59-72% das promoções globalmente não cobrindo seus custos, a oportunidade para quem otimiza execução é desproporcional. Empresas que implementam analytics avançado capturam 2-5% de receita incremental e 5-10% de melhoria no ROI do trade.

Para redes com centenas de unidades, a mensagem é clara: trade marketing deixou de ser uma função operacional de suporte. É a disciplina que conecta marca, canal e consumidor. Quem a executa com consistência, dados e tecnologia transforma cada unidade em ponto de vantagem competitiva.

SULTS

Transforme a execução de trade marketing da sua rede

+1.500 clientes com +600 mil usuários e +600.000 usuários já centralizam checklists, comunicados, campanhas e treinamentos na SULTS. Comece agora.

Testar gratuitamente
Rodrigo Caetano CEO e Fundador da SULTS. Especialista em tecnologia, projetos e gestão com foco no varejo e franchising, ele construiu uma carreira sólida que teve início na área de programação em 2006. Com ampla experiência no gerenciamento técnico de projetos, Rodrigo fundou a SULTS em 2018, consolidando um modelo de negócios de crescimento exponencial e amplamente reconhecido no Brasil. Sua visão executiva e inovadora é referendada por uma formação acadêmica de excelência: possui MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV, especialização em Data Science e Big Data pela PUC-MG e graduação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pelo IFTM. Aliando profundo conhecimento em dados e software a uma gestão altamente estratégica, Rodrigo lidera a plataforma que hoje simplifica e otimiza a operação de mais de +1500 marcas em todo o país.

Recomendados para você

Experimente grátis por 14 dias

Centralize e aumente a eficiência em toda operação.
Não é necessário cartão de crédito.