Skip to content
Gestão Operacional

Consultoria de Campo em Franquias: Estruturar o Programa da Rede

Rodrigo Caetano

Rodrigo Caetano

29 min de leitura
Homem de terno escuro, barba e óculos, trabalhando focado no teclado de um computador de mesa em um escritório bem iluminado. Através da divisória de vidro ao fundo, observa-se a movimentação do ambiente corporativo, com destaque para uma profissional em pé vestindo um vestido na cor verdigris. A imagem ilustra o trabalho analítico de retaguarda, a revisão remota de dados e o planejamento estratégico necessários para estruturar um programa moderno de consultoria de campo em franquias, transformando o auditor em um verdadeiro coach de negócios.

Resumo executivo: Consultoria de campo em 2026 não é mais um departamento de inspeção; é um sistema em camadas que combina autoauditoria diária feita pelo franqueado, revisão remota mensal, visita presencial trimestral e auditoria anual aprofundada. Redes que operam nesse modelo gastam de 40% a 50% menos do que no formato 100% presencial mensal, mantêm cobertura contínua acima de 95% e liberam o consultor de campo do papel de auditor para atuar como coach de negócio. O franqueador brasileiro que conduz uma rede acima de +50 unidades precisa projetar essa arquitetura como infraestrutura da marca, não como item variável de custo.

SULTS
R$ 301,7 bi
faturamento do franchising brasileiro em 2025, +10,5% vs. 2024
+202 mil
unidades franqueadas no Brasil distribuídas em 3.294 redes
US$ 936 bi
output do franchising americano em 2025, 8,8 mi de empregos
75/25
proporção ideal de touchpoints presenciais e virtuais do consultor de campo
Benchmark global pós-pandemia

Do inspetor ao coach: o papel do consultor de campo em 2026

O papel do consultor de campo em uma rede de franquias passou por uma mudança estrutural nos últimos quinze anos. A função nasceu como auditoria de padrão: o profissional do franqueador visitava a unidade, preenchia um formulário de conformidade e emitia um parecer. Em 2026, o centro de gravidade da função se deslocou para o coaching de negócio. Domino’s renomeou seus avaliadores para OER Coaches; Yum! Brands chama a posição de Area Coach na rede KFC; Walmart rebatizou em 2019 seus gerentes departamentais como Coach. A Starbucks, cujo modelo de District Manager supervisiona cerca de doze lojas, descreve a função sem a palavra “auditor”, posicionando o DM como líder que constrói planos de negócio em parceria com o Store Manager.

A consequência prática dessa mudança é relevante para qualquer franqueador com rede acima de +50 unidades. Quando o consultor deixa de ser fiscal e passa a ser coach, a arquitetura do programa muda: checklist operacional migra para autoauditoria do franqueado; a visita presencial passa a focar em leitura de P&L, observação de picos operacionais e conversa estruturada sobre prioridades; o follow-up se torna digital com plano de ação 5W2H rastreado em sistema de chamados. A inspeção se automatiza; o que sobra para o humano é o que máquina não faz: traduzir dados em recomendação estratégica.

MODELO INSPETOR 2000 a 2015 ✗ Visita anual com formulário extenso ✗ Foco em conformidade punitiva ✗ Relatório em papel ou PDF ✗ Plano de ação não rastreado ✗ Autoridade por imposição MODELO COACH 2020 a 2026+ ✓ Cadência em camadas (diária a anual) ✓ Foco em performance e P&L ✓ Checklist digital com evidência ✓ 5W2H em tickets com SLA ✓ Autoridade por dado e resultado

Figura 1: A transição do modelo de inspetor para o modelo de coach reorganiza a função do consultor de campo em redes de franquia.

Os três modelos de consultoria de campo e quando usar cada um

Antes de definir governança, KPIs ou dimensionamento, o franqueador precisa escolher entre três arquiteturas de consultoria de campo franquias. Cada uma tem custo, escalabilidade e risco próprios. Na prática, redes maduras combinam as três em camadas; redes em crescimento começam com uma e somam as outras à medida que a operação exige.

Dimensão Presencial Remoto / híbrido Autoauditoria
Cadência 2 a 4 visitas por ano 1 call semanal a mensal Diária a semanal
Custo por touchpoint R$ 1.500 a R$ 2.500 R$ 80 a R$ 300 Quase zero (licença SaaS)
Capacidade por consultor 25 a 35 unidades 40 a 60 unidades Sem limite prático
Leitura sensorial Alta: odor, textura, cantos Média: depende do ângulo da câmera Variável: depende da evidência
Autoridade percebida Alta Média Baixa sem layer de verificação
Risco de viés Efeito Hawthorne em visitas anunciadas Ponto cego em estoque e bastidores Complacência e falsificação
Quando usar Abertura, crise, troca de franqueado, auditoria anual, violação extrema Follow-up, QBR, unidades maduras, redes dispersas geograficamente Rotina diária, ownership do franqueado, cobertura contínua

A leitura estratégica: nenhuma rede sustenta hoje um programa 100% presencial mensal (o custo derrete qualquer margem); nenhuma rede preserva padrão de marca com programa 100% autoauditado (sem verificação cruzada a curva de qualidade cai em três a seis meses). O modelo que vence em 2026 é o híbrido em camadas, que combina os três formatos em cadências diferentes.

SULTS Checklist digital para o padrão da rede

Preencha a auditoria no celular com foto, GPS e timestamp. Evidência rastreável em cada unidade da rede.

Conhecer o Checklist SULTS

Modelo híbrido em camadas: a arquitetura que vence

A FranConnect, plataforma usada por +800 marcas globais, documentou que consultores pós-pandemia cobrem em média 34 unidades, número 21% maior que o pré-pandemia. O salto só foi viável porque parte das visitas migrou para formato virtual, e porque autoauditoria digital passou a gerar base contínua de dados entre touchpoints humanos. A arquitetura recomendada tem cinco camadas, cada uma com cadência e tecnologia própria.

DIÁRIA Autoauditoria pelo gerente da unidade: abertura e fechamento com foto e geolocalização Franqueado SEMANAL Autoauditoria completa com revisão remota do consultor por exceção Franqueado + IA MENSAL Call estruturada de 60 a 90 min: P&L, scorecard, revisão de plano de ação anterior Consultor remoto TRIMESTRAL Visita presencial completa: walk-through, coaching, observação de picos operacionais Consultor presencial ANUAL Auditoria aprofundada com mystery shopper e revisão financeira independente Auditor externo + FC

Figura 2: Arquitetura em 5 camadas do programa de consultoria de campo; cada camada tem cadência, custo marginal e responsável próprios.

O ganho econômico desta arquitetura em uma rede de 200 unidades é concreto: licenças de checklist e ticket custam entre R$ 7.500 e R$ 12.500 por unidade por ano, calls remotas mensais somam cerca de R$ 1.500 anuais, quatro visitas presenciais totalizam R$ 7.000 a R$ 10.000, e a auditoria anual externa fica entre R$ 8.000 e R$ 15.000. O custo total por unidade por ano oscila entre R$ 24.000 e R$ 49.000, frente a R$ 45.000 a R$ 80.000 em um modelo de visita presencial mensal. Mais importante que a economia, a cobertura contínua detecta desvios na camada diária, antes que vire reclamação de cliente ou ticket de ouvidoria.

Estruturação do programa: governança, dimensionamento e KPIs

Estruturar o programa significa desenhar quatro camadas: onde ele se encaixa na organização (governança), quantos consultores e em qual território (dimensionamento), quais métricas governam cada nível (KPIs) e como conecta com treinamento, compras e marketing (interfaces). O franqueador que trata consultoria de campo como departamento isolado perde a alavancagem do programa; quem conecta aos demais ciclos da rede captura de 3 a 5 vezes o investimento em EBITDA do sistema.

Governança: cadeia hierárquica e interfaces

A cadeia canônica em redes maduras é COO ou Head de Franquias → VP de Field Operations → Gerentes Regionais → Consultores de Campo. O McDonald’s opera cinco camadas, da Owner/Operator até o Presidente da operação americana, com o Operations Consultant como elo direto do franqueado com a marca. Uma rede brasileira de porte médio pode operar com três camadas: Diretor de Operações → Gerente de Rede → Consultor de Campo. O critério é manter o span de controle gerencial entre 5 e 8 consultores por gerente, permitindo acompanhamento real e escalonamento rápido.

As interfaces matriciais obrigatórias são cinco: marketing (execução de campanhas e verba local), treinamento (gaps de execução viram módulos na universidade corporativa), expansão (aprovações de multifranqueado e remodelações), compras (mix regional, central de negociação) e jurídico (pedidos de variação de padrão e violações contratuais). A regra de ouro é clara: o consultor propõe, o franqueado executa, a franqueadora escalona.

Dimensionamento: quantos consultores contratar

O cálculo de quantos consultores contratar é função de três variáveis: número de unidades por tier, visitas anuais por tier e capacidade útil de um consultor. A capacidade útil de um consultor em tempo integral gira em torno de 200 visitas anuais, já descontando férias, treinamento e reuniões trimestrais com a rede. O tiering recomendado separa a rede em três grupos:

A
Unidades sob atenção (15 a 20% da rede)
“Underperformers e em risco contratual”

Unidades com score de auditoria abaixo de 75%, NPS em queda, SSS negativo ou em primeiro ano de operação. Requerem 8 a 12 visitas anuais mais plano de recuperação escrito.

Estilo: Diretivo, orientado a plano de 90 dias com marcos semanais.

12 visitas/ano Plano escrito
B
Unidades em operação plena (60 a 70% da rede)
“Cumprindo metas, padrão estável”

Unidades entre 2 e 8 anos, score de auditoria entre 80% e 92%, resultado dentro do esperado. Requerem 4 a 6 touchpoints por ano, misto entre presencial e remoto.

Estilo: Coaching supportive; foco em otimização e eliminação de desperdício.

6 visitas/ano Meta de melhoria
C
Unidades de referência (15 a 20% da rede)
“Overperformers, brand advocates”

Unidades com score acima de 92%, SSS crescente, NPS acima de 70. Atuam como mentoras em encontros de franqueados. Cadência mais leve, com QBR estratégico trimestral.

Estilo: Colaborativo e estratégico; projetos-piloto de novos produtos e formatos.

3 visitas/ano Piloto de novidade

Exemplo prático de dimensionamento: rede de 120 unidades distribuídas em 20 unidades tier A (12 visitas anuais, totalizando 240), 80 unidades tier B (6 visitas anuais, totalizando 480) e 20 unidades tier C (3 visitas anuais, totalizando 60). O volume total é de 780 visitas anuais, exigindo 4 consultores com capacidade de 200 cada mais um gerente líder coordenando, o que resulta em um ratio efetivo próximo de 1:24. Para redes dispersas geograficamente, o uso de agenda corporativa compartilhada com roteirização por densidade permite programar de 4 a 6 unidades por dia útil de viagem.

KPIs em três níveis: consultor, unidade, programa

A FranConnect recomenda no máximo 12 a 15 métricas por franqueado para evitar saturação. A mesma regra vale para o consultor: cada nível deve ter 5 a 6 KPIs, e cada KPI deve ter meta, responsável e revisão trimestral.

Nível KPIs principais Meta de referência
Consultor Cobertura de visitas no prazo ≥ 95% do plano
Tempo útil em loja por visita ≥ 60% do total
Planos de ação fechados no prazo ≥ 80%
NPS do franqueado > 50 bom; > 70 excelente
Unidade Score de auditoria mensal > 85%
SSS (same store sales) mensal Crescimento ≥ inflação + 3 p.p.
NPS do cliente final > 60
Turnover de equipe < 35% ao ano
Programa Cobertura trimestral da rede ≥ 90% das unidades
Tempo médio de fechamento de plano < 60 dias
Custo do programa / royalties arrecadados 15% a 25%
Variância entre top e bottom quartile de score Reduzir ano a ano

O KPI mais subestimado é o último: variância entre top e bottom quartile. Uma rede saudável tem dispersão pequena entre a melhor e a pior unidade. Quando a variância cresce, o problema está no programa (falta de padronização, formação insuficiente, consultor sobrecarregado), não no franqueado. O papel do consultor de campo é comprimir essa curva.

SULTS

Padronize a rede com auditoria digital rastreável

Checklist com foto, GPS e timestamp. Plano de ação 5W2H em ticket com SLA. Dashboard comparativo entre unidades. Tudo na mesma plataforma que seus franqueados já usam.

Conheça o Checklist SULTS

Diagnóstico: sua consultoria de campo está madura?

Autodiagnóstico em 12 perguntas

Marque cada item que sua rede executa de forma consistente. O resultado classifica a maturidade do seu programa em um de quatro estágios e sugere as três próximas prioridades.

GOVERNANÇA
CADÊNCIA E PROCESSO
TECNOLOGIA E DADOS
COACHING E PERFORMANCE

Benchmarks globais: como redes de classe mundial operam

Olhar para fora do Brasil é essencial para definir padrão de classe mundial. As redes abaixo representam setores distintos (alimentação, varejo, hotelaria e fitness) e têm programas públicos ou bem documentados de consultoria de campo. Nenhuma delas aderiu a um único modelo; todas operam arquiteturas em camadas.

Rede Programa Cadência típica Tecnologia de apoio
McDonald’s (alimentação) Operations Consultant + ROIP Ciclo contínuo com visitas tipadas (RGR, CEV, Food Safety, OEA) PACE, NGS, dashboards proprietários
Marriott (hotelaria) Brand Standards Audit + Virtual BSA 1 BSA anual presencial + self-certification semestral GSS, Medallia, ITR score
7-Eleven (varejo e conveniência) Field Consultant Visitas semanais ou quinzenais por app mobile App proprietário de field walk
Anytime Fitness (saúde e bem-estar) Franchise Success Coach Call mensal + visita trimestral + Anytime Health Club Summit anual AF Intranet e plataforma de business review
Domino’s (alimentação) Franchise Business Consultant + OER Coach Mínimo 2 OER anuais não anunciadas + Self OER contínuo Pulse POS, PWR, DOM Pizza Checker (computer vision)
Hilton (hotelaria) Quality Assurance + SALT QA anual + SALT rolling six-month SALT survey, ISO 9001/14001

Três leituras transversais valem para qualquer franqueador brasileiro. Primeiro, a migração semântica de “inspetor” para “coach” é explícita em Domino’s, KFC, Walmart e Starbucks, e permanece mais conservadora em hotelaria (Marriott e Hilton preservam o vocabulário de auditoria). Segundo, a autoauditoria é formalizada em programas como Self OER do Domino’s, Property Certification do Marriott e Me@Walmart no Walmart; nenhuma dessas redes depende de consultor humano para sustentar padrão diário. Terceiro, redes de varejo com forte capilaridade geográfica obtêm ganho expressivo ao migrar o fluxo de auditoria para plataforma digital unificada.

Plano de ação pós-visita: a metodologia 5W2H em uma rede de franquias

A etapa de saída da visita é onde boa parte dos programas de consultoria de campo desperdiça seu investimento. Um consultor pode fazer walk-through impecável, ter uma conversa produtiva com o franqueado e descobrir três oportunidades de alto impacto. Se o registro termina em uma folha impressa assinada e arquivada, o retorno cai para próximo de zero. A disciplina de fechar a visita em formato 5W2H com evidência digital e prazo rastreável é o que transforma a visita em plano de melhoria real.

PRÉ-VISITA 1 a 2 horas • Review auditoria anterior • P&L, NPS, SSS • Priorizar 2 a 3 temas • Revisar plano aberto VISITA 4 a 8 horas • Brief de chegada • Walk-through digital • Coaching 1:1 • Assinatura do resumo PÓS-VISITA até 48 horas • 3 a 5 ações 5W2H • Tickets com SLA • Evidência anexada • Notificação à rede FOLLOW-UP CONTÍNUO: D+1 lembrete • D+7 gerente regional • D+15 diretor • D+30 revisão de contrato

Figura 3: Ciclo completo da consultoria de campo, da preparação da visita ao follow-up escalonado do plano de ação.

A estrutura do 5W2H aplicada à franquia tem sete campos: What (ação corretiva específica), Why (impacto quantificado em reais ou em risco de marca), Where (local físico preciso), When (prazo SMART no calendário), Who (uma pessoa nomeada, nunca “a equipe”), How (método detalhado com SOP referenciada) e How much (orçamento, horas-homem, ROI esperado). Três boas práticas comprovadas: máximo 3 a 5 ações prioritárias por visita (listas extensas geram paralisia), prazos escalonados por criticidade (crítico em 7 dias, importante em 30, estrutural em 90) e evidência obrigatória de fechamento (foto antes e depois, métrica comparativa, assinatura digital do franqueado). O sistema de chamados da franqueadora é o trilho onde cada plano vira ticket acompanhado até o fechamento, com escalonamento automático para gerente regional e diretor de operações se o prazo estourar.

Tendências 2026: o que muda no próximo ciclo

IA generativa em briefings e planos de ação

Antes da visita, o consultor recebe do sistema um resumo dos 3 principais riscos da unidade, tendência de vendas e comparação com peers. Após a visita, o 5W2H é sugerido automaticamente a partir das notas transcritas.

Computer vision em produção em redes QSR

Domino’s escaneou mais de 50 milhões de pizzas com seu DOM Pizza Checker; McDonald’s, em parceria com Google Cloud, reduziu erros de montagem em 35% em piloto de 750 restaurantes. A auditoria visual deixa de depender do olho humano em categorias repetitivas.

IoT e HACCP em tempo real

Sondas wireless de temperatura em freezers e fritadeiras disparam ação automática quando o parâmetro sai da faixa, gerando histórico defensável em caso de auditoria sanitária. A consultoria humana para de gastar tempo medindo e passa a focar em análise.

ESG expandindo o escopo da auditoria

Energia, resíduos, escopo 3 de carbono, práticas trabalhistas e conformidade com LGPD passam a compor o checklist da consultoria de campo. Frameworks como GRI, SASB e ISSB se consolidam como padrão mínimo em redes associadas a fundos institucionais.

SULTS Agenda da consultoria de campo em um só lugar

Roteirização por densidade geográfica, visitas por tier A/B/C, histórico por unidade e integração com checklist e chamados.

Ver Agenda Corporativa

Leitura recomendada

Método 5W2H: como montar planos de ação que saem do papel

Estrutura, exemplos e integração com sistema de tickets para franqueadoras que querem rastrear cada plano até o fechamento.

Padronização de processos em redes multi-unidade

Da documentação do padrão à execução rastreável na ponta da operação. Base do trabalho do consultor de campo.

Plano de ação: do diagnóstico à execução

Como estruturar plano de ação de acordo com a criticidade da oportunidade identificada durante a visita à unidade.

Maturidade operacional em redes: o mapa de evolução

Modelo de maturidade aplicado a redes multi-unidade, dos estágios iniciais à operação otimizada com dados.

Checklist digital: evidência rastreável na ponta

Fundamentos do checklist eletrônico para redes de franquia e varejo, com foto, GPS e timestamp como garantia de integridade.

Perguntas frequentes

A cadência depende do tier da unidade e do ciclo de vida do franqueado. Benchmarks globais indicam mínimo de 1 visita presencial anual combinada com 1 revisão virtual por trimestre; unidades em tier A (em risco) recebem de 8 a 12 visitas presenciais; unidades em tier B (operação plena) recebem de 4 a 6; e unidades em tier C (referência) recebem de 2 a 3 visitas estratégicas por ano. Redes maduras complementam a cadência humana com autoauditoria diária executada pelo próprio franqueado.

Para redes com mais de +30 unidades, a recomendação consolidada é manter o consultor de campo como CLT. Os motivos são três: confidencialidade das informações estratégicas da franqueadora e dos franqueados, alinhamento contratual que permite enforcement de padrão de marca e construção de pipeline de carreira interna (consultor pleno vira gerente regional em 3 a 5 anos). Auditorias pontuais de food safety, ESG ou compliance podem ser terceirizadas como camada complementar.

Não. Consultoria remota amplia cobertura e reduz custo, mas não substitui o formato presencial em três situações: abertura de nova unidade (primeiros 90 a 180 dias), cenário de crise (queda brusca de NPS ou SSS) e auditoria anual aprofundada. A recomendação é combinar os dois formatos na proporção de 75% presencial e 25% virtual nos touchpoints do consultor, com uma camada contínua de autoauditoria diária executada pelo franqueado.

No Brasil, o pacote total de um consultor de campo sênior CLT gira entre R$ 14.000 e R$ 24.000 por mês (salário, encargos e variável). Cada visita presencial de 1 a 2 dias custa entre R$ 1.500 e R$ 2.500 somando passagem, hospedagem, refeição e deslocamento. Licenças de checklist digital e sistema de chamados somam de R$ 50 a R$ 200 por unidade por mês. Redes emergentes investem de 0,5% a 1,5% das vendas brutas do sistema em consultoria; redes maduras operam entre 0,3% e 0,8%.

A Lei 13.966/2019 (atual Lei de Franquia) exige que a Circular de Oferta de Franquia (COF) descreva o suporte que o franqueador oferece ao franqueado, incluindo a natureza e a periodicidade da consultoria de campo. Isso significa que a cadência, o escopo e o canal de comunicação do programa devem estar documentados antes da assinatura do contrato. Discrepância entre o que foi oferecido na COF e o que é executado configura descumprimento contratual e abre precedente para ações de reparação.

Um programa maduro de consultoria precisa de cinco camadas tecnológicas integradas: checklist digital mobile-first com foto e GPS, agenda corporativa com roteirização, sistema de tickets para planos de ação com SLA, dashboard de business intelligence e universidade corporativa para o próprio consultor. Quando essas camadas vivem em plataformas separadas, o consultor gasta mais tempo consolidando dados do que fazendo coaching. Plataformas end-to-end para gestão operacional de redes multi-unidade entregam ganho de +21% de span de controle por consultor após a digitalização.

Cinco táticas comprovadas em redes globais: (1) traduzir cada não conformidade em impacto financeiro quantificado, (2) apresentar benchmarking com peers de perfil similar, (3) posicionar o consultor como coach e não como fiscal, (4) reconhecer e premiar unidades de alta performance com visitas menos frequentes e projetos-piloto e (5) envolver o franqueado na definição das prioridades do 5W2H. O indicador para acompanhar é o NPS do franqueado em relação ao consultor; quando cai abaixo de 50, a relação está em zona de risco.

O ROI deve ser medido em três camadas. Na camada financeira, compara-se SSS das unidades cobertas com visitas no prazo contra unidades com visitas atrasadas; em redes maduras, cada ponto percentual de SSS adicional em uma rede de 100 unidades com faturamento médio de R$ 2 milhões equivale a R$ 2 milhões anuais recuperados. Na camada operacional, acompanha-se a redução da variância de score entre top e bottom quartile. Na camada de relacionamento, o retention rate de franqueados em 5 anos é o principal indicador. Programas de classe mundial entregam de 3 a 5 vezes o investimento em EBITDA do sistema.

Sim, e essa integração é um dos principais multiplicadores de impacto. Toda não conformidade recorrente detectada em visita deve gerar módulo de reciclagem na universidade corporativa com prazo para conclusão pelos gerentes das unidades afetadas. O loop fechado (auditoria → identificação de gap → módulo de treinamento → certificação → nova auditoria) é o que transforma a consultoria de campo em mecanismo de melhoria contínua ao invés de rotina de controle.

SULTS

Conduza a consultoria de campo em uma só plataforma

SULTS integra checklist digital, agenda corporativa, sistema de chamados, universidade corporativa e dashboards em +25 módulos. +1.500 empresas e +92.000 unidades operam com SULTS.

Testar a SULTS por 14 dias

Conclusão: a arquitetura vence o esforço individual

O diferencial das redes que lideram o franchising global não está na genialidade do consultor de campo; está na arquitetura do programa. McDonald’s, Marriott, 7-Eleven e Anytime Fitness chegaram ao patamar onde estão porque desenharam sistemas em camadas, distribuíram tecnologia de autoauditoria até a ponta, estruturaram coaching em cadência previsível e conectaram o 5W2H pós-visita a um fluxo de tickets com SLA. A consultoria de campo em 2026 é um problema de design organizacional e de plataforma tecnológica, não de contratação de mais consultores. Franqueadoras brasileiras que operam redes acima de +50 unidades e querem chegar aos +200 nos próximos cinco anos precisam projetar essa arquitetura como infraestrutura da marca. Quem comprime a variância entre top e bottom quartile domina a economia da rede.

“`
Rodrigo Caetano CEO e Fundador da SULTS. Especialista em tecnologia, projetos e gestão com foco no varejo e franchising, ele construiu uma carreira sólida que teve início na área de programação em 2006. Com ampla experiência no gerenciamento técnico de projetos, Rodrigo fundou a SULTS em 2018, consolidando um modelo de negócios de crescimento exponencial e amplamente reconhecido no Brasil. Sua visão executiva e inovadora é referendada por uma formação acadêmica de excelência: possui MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV, especialização em Data Science e Big Data pela PUC-MG e graduação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pelo IFTM. Aliando profundo conhecimento em dados e software a uma gestão altamente estratégica, Rodrigo lidera a plataforma que hoje simplifica e otimiza a operação de mais de +1500 marcas em todo o país.

Recomendados para você

Experimente grátis por 14 dias

Centralize e aumente a eficiência em toda operação.
Não é necessário cartão de crédito.